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Gestão de Orçamentos
10/20/2026

O orçamento não é do financeiro: como envolver os gestores

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Marketing FinanceIT

O orçamento não é do financeiro: como envolver os gestores

Orçamento 2027: cada gestor precisa assumir os números e as decisões da sua área.

O comercial projeta crescimento. A operação estima sua capacidade de entrega. O RH calcula contratações. O financeiro consolida tudo. Mas quem verifica se essas projeções representam o mesmo plano?

Quando cada área trabalha com premissas diferentes, o orçamento pode fechar na planilha e continuar desconectado da execução. A receita prevista depende de uma capacidade que não foi contratada; o investimento exige um caixa que ainda não estará disponível; a economia esperada pressupõe uma renegociação que ninguém iniciou.

Para o ciclo de 2027, a questão central é transformar metas, premissas e recursos em compromissos claros entre as áreas, acompanhados por responsáveis com autoridade para agir.

Participar da construção é o primeiro passo.

O orçamento traduz a estratégia em escolhas: onde investir, quanto contratar, quais despesas priorizar e que resultado buscar.

Por isso, sua elaboração exige a participação de quem conhece os fatores que movimentam o negócio. O gestor comercial contribui com volumes, preços e condições de venda. A operação informa capacidade, produtividade e custos. O RH dimensiona pessoas e remuneração. O financeiro conecta essas decisões e avalia sua viabilidade.

No Controller Cast #69, Christian Lopes Costa, apresentado pela Treasy como gerente de Planejamento e Controle e FP&A da Record TV, defende a construção colaborativa do orçamento e a necessidade de considerar as particularidades de cada operação.

Participar, porém, não basta. Cada responsável precisa explicitar as premissas utilizadas, reconhecer as dependências de outras áreas e acompanhar os efeitos de suas decisões.

Ser responsável pelo orçamento significa conhecer seus fundamentos e agir sobre aquilo que está sob sua influência.

O que muda no planejamento de 2027.

A reforma tributária acrescenta uma dimensão importante ao próximo ciclo. Segundo o cronograma divulgado pela Receita Federal, 2027 marca a substituição de PIS/Cofins pela CBS, enquanto a transição de ICMS e ISS para o IBS ocorre gradualmente entre 2029 e 2032.

Isso exige cuidado ao utilizar o histórico como ponto de partida. Algumas comparações precisarão de ajustes para separar mudanças operacionais de efeitos tributários.

A recomendação é avaliar, com apoio das áreas fiscal e contábil, quais premissas podem afetar preços, custos, créditos tributários, contratos e fluxo de caixa. Cada hipótese deve ter uma fonte, uma data de atualização e um responsável por sua validação.

O histórico continua útil. O desafio é entender o que permanece comparável e o que precisa ser recalculado.

Orçamento aprovado e projeção atualizada têm funções diferentes.

Um processo de planejamento precisa responder a duas perguntas:

Qual compromisso a empresa aprovou? E qual resultado ela espera alcançar agora?

O orçamento estabelece a referência para metas e alocação de recursos. O forecast atualiza a expectativa de desempenho conforme surgem novas informações. A AFP — Association for Financial Professionals — destaca que projeções contínuas podem coexistir com o orçamento, incorporando mudanças nas premissas e nos cenários.

Como prática de governança, recomendamos preservar o orçamento original e acompanhar o forecast em versões identificadas. Quando houver necessidade de alterar formalmente o orçamento, a revisão deve seguir as alçadas de aprovação da empresa.

Essa distinção permite reconhecer mudanças sem perder a memória das decisões.

Papéis claros para conectar as áreas.

A divisão de responsabilidades deve ser definida antes da abertura do ciclo.

| Responsável | Compromissos no processo | |---|---| | Diretoria | Definir prioridades, metas, limites de recursos e critérios de aprovação. | | Controladoria ou FP&A | Estruturar o modelo, coordenar premissas, questionar projeções, consolidar cenários e avaliar impactos econômicos e financeiros. | | Gestores das áreas | Construir projeções operacionais, documentar hipóteses, justificar mudanças e executar as ações sob sua responsabilidade. | | Fiscal e contabilidade | Validar tratamentos tributários, critérios contábeis e consistência das bases utilizadas. | | Tesouraria | Avaliar liquidez, necessidades de financiamento e efeitos sobre o caixa. |

A colaboração também exige revisão crítica. O financeiro deve testar a coerência entre crescimento, capacidade, investimento e disponibilidade de recursos.

Uma meta de vendas maior, por exemplo, pode exigir estoque adicional e ampliar contas a receber. O efeito precisa aparecer na projeção de caixa, além da demonstração de resultado.

Um calendário que chega até a execução.

Recomendamos organizar o calendário a partir da data de aprovação, reservando tempo para elaboração, discussão e ajustes.

Para uma empresa que pretenda aprovar o orçamento até 30 de novembro, uma sequência ilustrativa seria:

  • Até 15 de setembro: diretrizes, responsabilidades e premissas iniciais.
  • Até 15 de outubro: propostas das áreas e respectivas justificativas.
  • Até 5 de novembro: revisão integrada, cenários e avaliação de caixa.
  • Até 20 de novembro: ajustes finais e submissão à diretoria.
  • Até 30 de novembro: aprovação e comunicação aos responsáveis.

As datas devem refletir a complexidade da organização. O essencial é que o calendário inclua também a rotina de acompanhamento durante 2027.

Cada desvio precisa gerar uma decisão.

A reunião mensal deve conectar a diferença encontrada à decisão necessária.

Uma estrutura prática é registrar cinco elementos: causa, impacto esperado, ação, responsável e prazo.

Considere um exemplo hipotético: a despesa de pessoal ficou abaixo do orçamento porque contratações atrasaram. A diferença parece favorável, mas pode representar perda de capacidade e risco para a receita.

A análise precisa identificar se houve ganho de eficiência ou adiamento de uma necessidade. Também deve distinguir efeitos de volume, preço, produtividade, competência e eventos não recorrentes.

O acompanhamento passa a produzir valor quando ajuda a decidir o que fazer e quando agir.

Como a tecnologia apoia esse processo.

Quando orçamento, realizado, projeções e indicadores ficam dispersos, a equipe pode gastar mais tempo conciliando informações do que discutindo decisões.

A plataforma P-POV reúne planejamento orçamentário e econômico-financeiro, simulação de cenários, forecast, revisão orçamentária e consolidação de resultados nas visões de DRE, fluxo de caixa e balanço patrimonial. Também oferece gestão de indicadores e planos de ação.

Esses recursos podem apoiar um processo integrado de planejamento e acompanhamento, desde que o modelo esteja sustentado por dados consistentes, responsabilidades definidas e disciplina de execução.

A FinanceIT é parceira comercial da P-POV. Para conhecer a solução e avaliar sua aderência ao processo de planejamento e gestão de resultados da sua empresa, converse com nossa equipe.

O orçamento de 2027 começa a ganhar força quando cada gestor consegue explicar três pontos: em quais premissas seus números se apoiam, quais decisões dependem dele e quais ações precisam acontecer para entregar o resultado.