Reforma tributária no orçamento de 2027: premissas que não esperam
Marketing FinanceIT

O orçamento de 2027 parte de uma incógnita conhecida.
Quem está fechando o orçamento de 2027 enfrenta um dilema. A reforma tributária do consumo já está em andamento, mas parte da regulamentação ainda vai avançar. A tentação é repetir as premissas tributárias de 2026 e ajustar depois.
O problema é que, em 2027, o efeito deixa de ser apenas operacional. Segundo a Company Hero, é o ano em que a CBS passa a valer de fato e PIS e Cofins deixam de existir. Um orçamento que ignora essa virada já nasce sem enxergar a margem, o preço e o caixa.
O que os documentos fiscais já mostram
A preparação começou nos sistemas. Segundo a Nasajon, desde 3 de agosto de 2026 as empresas do regime regular não conseguem emitir documento fiscal eletrônico sem preencher os campos de IBS e CBS: a nota sem essas informações é rejeitada. Na NFS-e, conforme noticiou o LegisWeb, o destaque obrigatório foi prorrogado para 1º de outubro de 2026.
Esses campos trazem alíquotas de teste: 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, como explica a Contabilizei. A apuração serve apenas para informar e não gera recolhimento, desde que as obrigações acessórias sejam cumpridas.
Para quem planeja, isso tem valor. As notas emitidas desde agosto já mostram, operação por operação, como o novo modelo enxerga as vendas e as compras da empresa. É um insumo concreto para as premissas de 2027.
Quatro premissas que o orçamento precisa registrar
Margem. A troca de PIS e Cofins pela CBS muda a forma como o tributo incide e como os créditos são aproveitados. O orçamento deve registrar qual hipótese foi usada para o custo tributário de cada linha de receita e de despesa, em vez de embuti-la num percentual genérico.
Preço. A ADP lembra que a transição exige revisão de contratos, com efeitos na relação entre prestadores e contratantes de serviços. A premissa de preço precisa dizer se os contratos serão renegociados, se o tributo será repassado e quando essa decisão será tomada.
Créditos. O novo modelo segue a lógica do imposto sobre valor agregado, sem cumulatividade ao longo da cadeia. Saber quais fornecedores geram crédito, e em que volume, passa a pesar no custo. O Simples Nacional também conta: segundo a Contabilizei, a partir de 2027 as empresas do regime poderão calcular IBS e CBS por fora do Simples, o que afeta o crédito de quem compra delas.
Fluxo de caixa com o split payment. A Lei Complementar 214/2025 criou o split payment, que separa o tributo na liquidação financeira da operação e o envia direto ao Fisco. Segundo a e-Auditoria, a etapa inicial está programada para 2027, de forma facultativa e voltada a operações entre empresas.
Nas vendas a prazo, a lei determina que a separação do tributo seja feita proporcionalmente em cada parcela, como detalha um artigo publicado no Jusbrasil. Mesmo sendo facultativo no início, o mecanismo muda a lógica do capital de giro, porque o valor do tributo deixa de passar pelo caixa do fornecedor.
Premissa explícita não é chute
Registrar premissas não significa inventar alíquotas ou datas. Onde a norma ainda não definiu um número, o orçamento deve dizer isso com clareza e trabalhar com cenários, indicando a fonte e a data de cada hipótese.
O que se pede é transparência: cada premissa tributária anotada, com responsável, justificativa e gatilho de revisão. Quando sair um novo ato da Receita Federal ou do Comitê Gestor do IBS, a equipe sabe exatamente qual linha do orçamento revisar.
Esse cuidado vale também para o longo prazo. Segundo a ADP, a transição para o novo modelo continuará até 2033. O orçamento de 2027 é o primeiro de uma série que vai conviver com regras em mudança.
Orçamento e realizado na mesma base
Premissas só são úteis se forem comparadas com o que de fato acontece. Por isso, o acompanhamento do realizado deve seguir a mesma estrutura do orçamento, com as linhas tributárias separadas.
Assim, a diferença entre o planejado e o realizado mostra se o desvio veio da operação ou da premissa tributária. Plataformas de gestão de orçamento e resultado, como o P-POV, reúnem orçamento e realizado numa única base e facilitam essa leitura.
No lado fiscal, a qualidade do dado também pesa. Segundo a Avalara, o motor de cálculo fiscal calcula IBS e CBS conforme o enquadramento da operação e envia as informações ao documento fiscal, que servirá de base para o recolhimento automático no split payment.
Por onde começar
O primeiro passo é extrair os dados de IBS e CBS das notas emitidas desde agosto e cruzá-los com o orçamento em elaboração. Em seguida, vale listar as quatro premissas (margem, preço, créditos e caixa), com a fonte e a data de cada uma, e definir quem acompanha a regulamentação.
A Financeit apoia empresas nessa preparação, com soluções fiscais e de gestão de orçamento e resultado. Uma conversa com o time ajuda a identificar quais premissas o orçamento de 2027 ainda deixa implícitas.
Fontes
- Reforma tributária 2026: impactos em RH, folha e serviços (ADP)
- Reforma Tributária o que muda: resumo e como se preparar em 2026 (Contabilizei)
- IBS e CBS na nota fiscal: o que passa a ser obrigatório em agosto de 2026 (Nasajon)
- CGIBS e Receita Federal prorrogam destaque obrigatório do IBS e CBS nas notas fiscais de serviços (LegisWeb)
- Reforma tributária 2026: o que muda com CBS e IBS (Company Hero)
- Split Payment Reforma Tributária e capital de giro (e-Auditoria)
- Split Payment e Reforma Tributária: o que diz a lei e como preparar sua empresa (Jusbrasil)
- Split Payment na LC 214/2025: como será o recolhimento automático (Avalara Brasil)
